Quem tem uma medida protetiva contra si costuma fazer sempre as mesmas perguntas: quanto tempo ela dura, se dá para tirar, e o que acontece se houver algum contato. As regras mudaram nos últimos anos e hoje são mais rigorosas. Veja abaixo o que diz a lei e como funciona na prática.
Quanto tempo dura uma medida protetiva?
A Lei Maria da Penha não fixa um prazo para as medidas protetivas. Desde a Lei 14.550/2023, a regra é clara: elas valem enquanto existir risco à integridade física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral da mulher ou de seus dependentes.
Isso quer dizer que:
- a medida não “vence” sozinha depois de alguns meses;
- ela não depende de inquérito, de processo criminal ou de boletim de ocorrência para continuar valendo;
- ela só deixa de valer quando o juiz a revoga por decisão expressa.
O Superior Tribunal de Justiça também já firmou o entendimento de que essas medidas não têm prazo predeterminado e de que a sua manutenção depende da avaliação do risco no caso concreto.
É possível pedir a revogação?
Sim. A medida pode ser revogada (retirada) ou modificada (ajustada) quando a situação muda. O pedido é feito ao juiz, por meio de advogado, e precisa mostrar que o risco deixou de existir ou que a medida está desproporcional.
Alguns exemplos de situações que podem justificar o pedido:
- muito tempo sem nenhuma ocorrência ou conflito entre as partes;
- mudança de cidade ou de endereço de uma das partes;
- arquivamento do inquérito ou absolvição no processo criminal;
- pedido da própria vítima;
- distância mínima ou proibição que impede você de trabalhar, estudar ou cuidar de questões essenciais;
- necessidade de regularizar a convivência com os filhos.
Em regra, antes de decidir, o juiz ouve a vítima e o Ministério Público. Por isso, o pedido precisa ser bem fundamentado e acompanhado de provas.
Revogar ou ajustar?
Nem sempre o melhor caminho é pedir a retirada total. Muitas vezes, faz mais sentido pedir um ajuste: reduzir a distância, permitir contato só sobre os filhos por um meio definido, ou autorizar a retirada de objetos pessoais. Um advogado avalia qual pedido tem mais chance de ser aceito.
O que acontece se a medida for descumprida?
Descumprir medida protetiva é crime (artigo 24-A da Lei Maria da Penha). Com a Lei 14.994/2024, a pena passou a ser de reclusão de 2 a 5 anos e multa. E as consequências não param aí:
- prisão em flagrante, sem possibilidade de fiança na delegacia: só o juiz pode conceder;
- prisão preventiva, que a lei permite justamente para garantir as medidas protetivas;
- monitoramento eletrônico e outras medidas mais duras;
- o descumprimento é crime mesmo que a medida tenha sido decidida por um juiz de outra área, como o da Vara de Família.
E se foi ela que me procurou?
Esse é um dos pontos que mais geram problemas. A medida é uma ordem do juiz, e não um acordo entre as partes. Se a vítima procurar você, a orientação mais segura é não manter o contato, guardar o registro (print da mensagem, por exemplo) e falar com o seu advogado. Se houver interesse dos dois em retomar o contato, o caminho é pedir ao juiz a revogação.
Passo a passo para pedir a revogação
- Reúna documentos: a decisão que concedeu a medida, comprovante de endereço, de trabalho e qualquer prova de que não houve novos conflitos.
- Procure um advogado criminalista para analisar o processo e definir o melhor pedido.
- O advogado apresenta o pedido ao juízo que concedeu a medida, com os fundamentos e as provas.
- O juiz ouve a vítima e o Ministério Público e decide.
- Até a decisão, a medida continua valendo e deve ser cumprida integralmente.
Perguntas frequentes
A medida acaba quando o processo criminal termina?
Não necessariamente. Como ela depende do risco, e não do processo, o fim do processo pode ser um bom argumento para a revogação, mas o juiz precisa decidir.
Ela pode pedir para retirar a medida?
Pode. O juiz vai avaliar se o pedido é livre e se o risco realmente deixou de existir.
Quanto tempo demora a decisão sobre a revogação?
Varia conforme o juízo e o caso. Um pedido bem instruído, com documentos e fundamentos claros, tende a ser analisado com mais segurança.
Precisa de orientação?
O Dr. Wagner Marins, advogado criminalista no Rio de Janeiro, analisa o seu caso e indica o caminho adequado para a revogação ou o ajuste da medida protetiva, sempre com sigilo.


