Audiência de custódia: o que é e como o advogado pode conseguir a liberdade

Audiência de custódia: o que é e como o advogado pode conseguir a liberdade

Depois de uma prisão em flagrante, o próximo passo é a audiência de custódia. É nela que o juiz decide, de forma rápida, se a pessoa continua presa ou se pode responder em liberdade. Por isso, é um dos momentos mais importantes do caso, e a atuação do advogado pode mudar o resultado.

O que é a audiência de custódia

É a apresentação do preso a um juiz, em até 24 horas depois da prisão, prevista no artigo 310 do Código de Processo Penal e regulamentada pela Resolução 213/2015 do Conselho Nacional de Justiça. Participam:

  • o juiz;
  • o Ministério Público;
  • a defesa, feita por advogado ou pela Defensoria Pública;
  • a pessoa presa.

O que o juiz analisa

A audiência não é o julgamento do crime. O juiz não decide se a pessoa é culpada ou inocente. Ele analisa:

  • se a prisão foi legal, ou seja, se havia flagrante e se as regras foram respeitadas;
  • se é necessário manter a pessoa presa até o fim do processo;
  • se houve maus-tratos, tortura ou abuso no momento da prisão.

Por isso, em regra, o preso não é questionado sobre os detalhes do crime, e sim sobre como foi a prisão e sobre a sua situação pessoal.

As três decisões possíveis

  1. Relaxamento da prisão: quando a prisão é ilegal. A pessoa é solta.
  2. Liberdade provisória: a pessoa responde ao processo em liberdade, com ou sem fiança, e com ou sem medidas cautelares.
  3. Conversão em prisão preventiva: só quando houver requisitos legais e as medidas cautelares forem insuficientes.

Quais medidas cautelares podem ser aplicadas

O artigo 319 do CPP traz alternativas à prisão, que o juiz deve considerar antes de manter alguém preso:

  • comparecimento periódico em juízo;
  • proibição de frequentar determinados lugares;
  • proibição de manter contato com determinadas pessoas;
  • proibição de sair da cidade;
  • recolhimento domiciliar à noite e nos dias de folga;
  • suspensão do exercício de função pública ou de atividade econômica, em casos específicos;
  • monitoramento eletrônico (tornozeleira);
  • fiança.

Como o advogado pode atuar para buscar a liberdade

O resultado nunca é garantido, mas uma defesa preparada aumenta muito as chances de a pessoa responder em liberdade. Na audiência, o advogado pode:

  • apontar ilegalidades na prisão: ausência de flagrante, entrada em casa sem justificativa, violência policial, falhas no auto de prisão;
  • mostrar que a prisão não é necessária, com documentos de residência fixa, trabalho, estudo e família;
  • destacar a primariedade e os bons antecedentes;
  • propor medidas cautelares adequadas no lugar da prisão;
  • pedir prisão domiciliar nos casos previstos em lei, como gestantes, mães ou pais responsáveis por filhos pequenos e pessoas com doença grave (artigo 318 do CPP);
  • pedir o registro de eventuais agressões e as providências cabíveis.
Os documentos fazem diferença. Comprovante de residência, carteira de trabalho, contracheque, declaração do empregador, certidão de nascimento dos filhos e laudos médicos devem chegar ao advogado antes da audiência.

E se a prisão for mantida?

Se o juiz converter o flagrante em prisão preventiva, a defesa ainda tem caminhos: pedido de revogação ao próprio juiz quando houver fato novo, pedido de substituição por medidas cautelares ou habeas corpus ao Tribunal de Justiça. A preventiva também deve ser revisada pelo juiz a cada 90 dias.

Perguntas frequentes

A família pode assistir à audiência de custódia?

Depende da organização de cada local e do juiz. Em geral, a família não participa, mas é fundamental que ela entregue os documentos ao advogado.

Quem é solto na custódia está livre do processo?

Não. A pessoa responde ao processo em liberdade e precisa cumprir as condições impostas. Descumprir essas condições pode levar à prisão.

Preciso de advogado particular ou a Defensoria resolve?

A Defensoria Pública atua quando não há advogado. Um advogado particular pode se dedicar com mais tempo ao caso e preparar a defesa desde a delegacia.

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O Dr. Wagner Marins, advogado criminalista no Rio de Janeiro, atua em audiências de custódia e pedidos de liberdade, com atendimento rápido para a família.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a análise individual do caso por um advogado. As informações refletem a legislação e a jurisprudência na data de publicação e podem sofrer alterações.

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